Street Fighter 2 Victory

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Quem nunca jogou o clássico game de luta "Street Fighter"? O jogo que deu origem a vários do gênero, está disponível para qualquer plataforma de videogame, e até hoje continua sendo idolatrado principalmente para os que viveram a boa época de cabular aula pra jogar fliperama no bar.

Em 1994 a Capcom lançou o jogo Street Fighter 2 e, aproveitando o lançamento, os japoneses produziram um anime intitulado Street Fighter 2 Victory. A série foi exibida em 1995, com direção de Gisaburo Sugii. E apesar de não ter sido um sucesso a nível mundial, o anime é muito lembrado por nós, brasileiros, pela sua exibição feita pelo SBT no final da década de 90, justamente quando a franquia "Street Fighter" estava em alta no Brasil (é bom lembrar que foi justamente na época do lançamento do filme com o Jean-Claude Van Damme).

A SÉRIE

O anime de Street Fighter começa muito bem, somos apresentados a excelentes desenhos de personagens e animações. O primeiro, segundo e terceiro episódios da série dão a entender que teríamos pela frente uma série empolgante e repleta de adrenalina (geralmente é isso que sentimos quando jogamos SF), porém a emoção fica por aí... O desenrolar do anime acaba ficando meio monótono a partir do quarto episódio.
No centro da história temos Ryu e Ken: eles são dois discípulos de artes marciais que treinaram juntos no norte do Japão em sua pré-adolescência, porém acabam sendo separados. Ken voltando para a América e Ryu continuando sua vida no Japão. O anime mostra o reencontro deles, e sua viagem para descobrir fortes lutadores pelo mundo.

Apesar de Ryu e Ken estarem no centro da história, podemos destacar Ryu como personagem principal. Ele é o primeiro personagem a aparecer. Ryu morava no Japão e ajudava um velho lenhador e sua afilhada, Reiko, nas montanhas. Isso até receber um convite de seu amigo americano, Ken, para ir visitá-lo nos EUA. A princípio Ryu parece desinteressado, porém ao ter seus olhos abertos para a possibilidade de conhecer uma nova terra e rever seu amigo, ele acaba aceitando o convite. Na partida ele ganha de Reiko o colar que ele carrega durante toda a série.

Ken é o único herdeiro da família Masters, ele é um milionário e vive em uma grande mansão nos EUA. Quando pequeno foi ao Japão estudar artes marciais, até porque sua mãe é japonesa. Após voltar para a América, ele não deixou de treinar, e entrou em diversas competições de luta, colecionando assim diversos troféus. Convidou Ryu para visitá-lo, pois estava entediado por não encontrar um inimigo realmente forte. Logo ele descobriria que oponentes fortes têm aos montes por aí...

Assim que se encontram, os dois partem para testar suas habilidades, eles vão até bares de San Francisco para provocar e arranjar boas brigas. Porém, acabam se deparando com o Coronel Guile, e ao enfrentarem acabam descobrindo que ele é melhor do que pensavam. No primeiro episódio Ryu é massacrado pelo Coronel das Forças Armadas, já no segundo é a vez de Ken. Humilhados com a derrota, porém empolgados por saberem que existem lutadores mais fortes mundo afora, os dois resolvem viajar em busca de novos desafios, percorrendo o globo numa aventura que mudaria a suas vidas.

A primeira parada é Hong Kong, onde eles são recepcionados por uma chinesinha que os acompanharia em várias viagens pelo mundo, a jovem Chun-li. A garota de 15 anos apareceu como uma simples guia turístico. Porém logo descobrimos que ela é filha do inspetor da polícia de Hong Kong, e que ela treina Kung-Fu, sendo assim uma ótima lutadora. Acompanha nossa dupla de heróis nas viagens pela Ásia e Europa. Seu pai, Dubal, está investigando a ação de uma gangue conhecida como Shadaloo, qual faz parte de um poderoso esquema de máfia, distribuindo drogas para vários lugares do planeta, e qual seu líder é o misterioso Bison. Em Hong Kong, Ryu acaba encontrando um estranho Senhor,  que comenta com ele sobre a técnica Hadouken.

Após saírem da cidade que conheceram Chun-Li, os dois resolvem ir para a Tailândia, porém Ryu acaba sendo preso, vítima de um criminoso que colocou drogas em sua mochila sem ele perceber. Na prisão ele encontra Sagat, que após lutar com o garoto, lhe indica Dhalsim, quem poderia ensinar algo sobre a arte do Hadouken, da qual ele ficou tão interessado em Hong Kong. Na Índia eles acabam encontra Dhalsin, porém ele parece não querer ajudá-los. Mas ao arriscarem suas vidas na Caverna do Demônio, para salvar a aldeia dele, acaba ganhando a sua confiança, e ele acaba lhes ensinando a arte dos Shakras, o que seria o primeiro passo para nossos heróis controlarem o Hadouken.

O primeiro a controlar a técnica Hadouken é Ryu, que a utiliza com movimentos com as mãos, no maior estilo Dragon Ball, num golpe chamado Hadou. Ken conseguiu controlar a técnica quase no final do anime, porém esta foi essencial para que tanto ele, como Ryu e Chun-li conseguissem escapar vivos, e não morrerem antes do anime chegar ao fim. Seu golpe é diferente do de Ryu, pode ser considerado mais fraco. Sua técnica é chamada Shoryuken!

Na Espanha eles encontram Vega, um famoso toureiro que se apaixona por Chun-li. Como está na cara que ela é apaixonada por Ken, Vega desafia o garoto para uma luta. Depois de muito esforço Ken consegue derrotá-lo, porém tanto ele, como Chun-li, acabam sendo capturados por Bison, o chefe da Shadaloo (organização criminosa). Chun-li por ser filha do chefe da polícia japonesa, e Ken por ser filho de um milionário. Mas ao ver a luta do rapaz contra Vega, Bison acaba tendo outros planos. Ryu que acabou se deparando com Zangief, também teve sua luta assistida pelo Bison, qual também o capturou. Mandando todos assim para uma ilha, lugar em que iria colocar seu "plano em ação" com os capturados.

Bison é um ser misterioso, chefe da organização criminosa Shadaloo. Ele tem seus poderes baseados na raiva e ódio. Seu objetivo é a dominação mundial, porém ele também é obcecado por poder! Na ilha citada acima, ele realiza testes com uma criação sua, uma espécie de chip que controla as ações e pensamentos humanos, dando assim a Bison poder de controlar uma vida. Ele utiliza estes experimentos em Chun-li e Ryu, estes que enfrentam Guile e Ken (respectivamente).
Bison trava boas lutas no anime, a primeira é contra a Chun-li, uma ótima luta, vale a pena ver. Bison foi derrotado por Ryu e Ken no último episódio do anime.

TRAJETÓRIA NA TV

O anime estreou em 1995 na TV japonesa e ao todo teve 29 episódios, o que pode ser considerado um número bom de episódios para uma série que não obteve tanto êxito. Produzido graças ao alvoroço do lançamento do game Street Fighter 2, o anime foi exibido de 10 de abril a 27 de novembro.
A abertura e encerramento da série são bem legais, e fazem jus a boa animação do Group Tac (estúdio que produziu a série). As aventuras de Ryu e Ken globo afora foram exibidas pela Yomiuri TV, e não foi poupada nenhuma cena de pancadaria e sangue.

O anime seria exclusividade japonesa, porém algo aconteceu... No final da década de 90, o SBT adquiriu da Columbia Pictures uma animação que estava sendo produzida nos EUA da franquia Street Fighter (que, aliás, foi exibida no Brasil e tinha como personagem central o Guile). Porém a animação estava demorando a chegar ao país, e a empresa tinha que cumprir o compromisso com o Brasil, eles então tinham nas mãos o desenho japonês, recém produzido, intitulado Street Fighjter 2 Victory, e logo ofereceram ao SBT como uma forma de desculpas pela demora com a animação americana. Titio Sílvio Santos aceitou, e deixou nas mãos da Máster Sound o trabalho de dublá-la! A série foi exibida diariamente dentro dos infantis do canal, obtendo muito sucesso. A série foi ao ar na íntegra, sem cortes de violência ou coisas do tipo, e logo se tornou sucesso entre as crianças. Tanto a abertura, como o encerramento, ganharam uma excelente dublagem. O anime foi ao ar até meados de 1999 dentro do Sabádo Animado.

Depois de alguns anos fora do ar, a Cartoon Network anunciou a exibição da série, que pensávamos que jamais voltaria a ser exibida na TV. Street Fighter 2 Victory voltou a ser exibido no Brasil na tv paga, justamente na época em que animações japonesas bombavam na TV, dentro do programa Toonami. A série veio junto com uma leva de animes ressuscitados pelo canal, como Super Campeões, Os Cavaleiros do Zodíaco e Yu Yu Hakusho. A dublagem original foi mantida. Mas apesar de ter ganho uma boa exibição no canal, nenhuma emissora aberta se interessou em adquirir a série. O anime foi reprisado algumas vezes e foi tirado do ar, não retornando assim para a TV brasileira desde então.

CURIOSIDADE

É bom lembrar que antes dos japas sequer pensarem em produzir Street Fighter 2 Victory, foi realizado em 1993 um filme da franquia no Japão. O longa em anime se tornou um clássico, com animação convencional enriquecida de efeitos computadorizados. Antes de Akira ser exibido no Brasil, com certeza este longa de Street Fighter, foi o filme de anime mais bem produzido a chegar a terras tupiniquins. O filme traz ótimas lutas entre Ryu e Sagat, Ryu e Fei Long (excelente luta, vale a pena ver), Ken e T.Hawk (Estados Unidos). O poderoso Bison consegue colocar Ken contra Ryu apagando sua mente. E Guile luta contra o chefão do mal. É nesse longa que aparece o "polêmico" banho da Chun-Li, que na exibição brasileira foi cortado.
No Brasil o filme foi exibido nos cinemas, onde fez um enorme sucesso (tanto que surgiu Fatal Fury na mesma época para pegar carona no sucesso, mas foi fracassado) e foi exibido pelo SBT no bom e velho Cinema em Casa, e recentemente a Record exibiu e provavelmente ainda deve ter os direitos sobre ele.

CRÍTICA

Conheci Street Fighter 2 Victory quando foi exibido originalmente pelo SBT. Não me lembro de ter assistido todos os episódios na época, porém lembro que podia encontrar nas "lojinhas e mercearias" álbuns com figurinhas da série. A época que mais lembro em ter acompanhado o anime foi em sua exibição no Sábado Animado, aonde ia ao ar com animes como Fly - o pequeno guerreiro e Guerreiras Mágicas de Rayerth. No começo da década passada comprei de uma locadora que estava fechando alguns episódios do anime, pra minha sorte foram os primeiros. Assisti por diversas vezes, e por isso guardo com tanto carinho a memória deste anime. Ainda possuo estes episódios em VHS. Há alguns anos baixei toda a série num site de download, realmente não me atraiu muito. O anime é bacana sim, porém se torna muito cansativo no decorrer dos episódios. A partir do quarto episódio a série já começa a ganhar outro tom. A empolgação mostrada nos primeiros episódios já não aparece, dando lugar a uma trama monótona. No final ficamos com aquela sensação de que "faltou algo", parece que a série foi cancelada sem ter colocado tudo o queria.

Apesar de ter criticado um pouco o anime, é bom destacar o porquê se deve assisti-lo: excelente animação, desenho de personagens muito bem feitos, uma boa história (apesar dos furos)...
Apesar de o anime ter sido produzido por uma questão totalmente comercial, a série conseguiu se destacar em alguns sentidos, principalmente por fazer com que uma história de temática tão "adulta" ser admirada por crianças, e lembradas com carinho até hoje por muitas delas. Como qualquer outra série, está também trata da amizade como laço principal para se obter a "vitória". Além de levar o espírito de perseverança a todos, até pelo fato de Ryu e Ken serem tão determinados.
Uma boa adaptação, apesar de tudo, porém não foi desta vez que o anime conseguiu superar o game.
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