Medabots

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Ambientado num futuro não muito distante, onde as pessoas continuam consumistas e loucas por tecnologia, é que se passa a história de Medabots. Uma série que apareceu no auge dos colecionáveis (Pokémon, Digimon), e que apesar de tantas comparações com outras do mesmo gênero, conseguiu conquistar um público fiel, e hoje é lembrada com carinho por muitos. No Japão a série apareceu como um possível sucessor de Pokémon... no Brasil foi exibida na época em que os animes estavam em alta, tanto na TV paga, quanto na TV aberta.

O QUE É UM MEDABOT?

Medabot é o nome dado aos robôs do anime, eles são compostos basicamente por três partes: o tinpet, a armadura e a medalha. O tinpet é uma espécie de esqueleto do Medabot, podemos definir como o chassi do mesmo. A armadura são as medapeças, que são as partes que dão forma ao Medabot, as medapeças são divididas em: Braços (que são eficientes para o ataque, geralmente nos braços existe algum tipo de arma, canhão, espada, etc.), Pernas (determinam a agilidade do Medabot, pode ser humanóide, ou de alguma outra forma), e o Torso (dedicada a defesa do Medabot, é formada pela cabeça e o peito). A última parte é a Medalha, porém a mais essencial. Ela é que dará vida ao robô, muitos definem como cérebro, ou inteligência artificial... Porém prefiro defini-la como a Alma do Medabot, já que no anime os Medabots tem sentimentos e atitudes próprias.

Os Medabots foram criados pela Corporação Medabot, o desenho do robô muda conforme surgem novas tecnologias, porém a Medalha é mais antiga do que se pensa. Na verdade as que deram origem as Medalhas vendidas nas lojas, são as chamadas Medalhas Raras, estas encontradas em escavações de ruínas antigas. A Corporação utiliza uma Medalha Rara para criar cópias a serem vendidas.

A SÉRIE

O anime começa nos apresentando robôs com alguma espécie de inteligência artificial, que são controlados por humanos, estes que os utilizam para travar incríveis batalhas. Sucesso entre as crianças, os robozinhos podem ser vistos em todos os lugares, e na escola não existe uma pessoa que não tenha um... Ou melhor, existe sim uma pessoa que não tem um: Ikky Tenryou, o personagem central da série. Ridicularizado pelos outros por não possuir nenhum, certo dia ele acaba encontrando uma Medalha (espécie de inteligência que dá vida ao Medabot) perdida, ele então pega todas as suas economias e compra uma versão bem desatualizada de Medabot, ao colocar a Medalha encontrada conhecemos Metabee!

Porém existe certo mistério por traz das Medalhas, e de certa forma por trás dos Medabots... Seriam eles apenas brinquedos modernos? Não! Existe muita coisa por trás de tudo isso!
Ikky, Metabee, e os personagens que nos são apresentados com o decorrer da série nos provam isso. Com as descobertas que eles fazem durante a história, e com o convívio com seus amigos enlatados.

Quando se fala em Medabots, não se pode esquecer de falar das Cyberlutas! Batalhas entre dois ou mais Medabots, que podem ser organizadas (como torneios), ou que ocorrem a qualquer momento. A regra principal da luta é: o perdedor deve entregar uma medapeça ao vencedor, assim originando combinações de medapeças diferentes. Quando uma luta tem início surge sabe lá Deus de onde o Senhor Juiz. O Juiz oficial das cyberlutas, sempre aparece dos lugares mais inusitados: como de um avião, de um caixão, saindo de alguma armadura, nadando em um chafariz...

Os grandes vilões da história fazem parte da Gangue dos Robôs de Borracha. Sinceramente, estes vilões são muito lembrados por serem os inimigos mais toscos que um anime já teve. Com suas roupas pretas emborrachadas e coladas ao corpo, este grupo rendia momentos hilários. Eles são comandados pelo Dr. Meta-Malvado, e seu objetivo é conseguir todas as medalhas raras. A Gangue é composta por um incontável número de membros, porém 4 deles são os que aparecem mais na série: Seaslug, Squidguts, Shirimplips e Gillgirl. O Dr. Meta-Malvado quer controlar todos os Medabots, para que estes destruam todos os humanos.

TRAJETÓRIA NO BRASIL

Exibido no Brasil em meados de 2002 pela extinta Fox Kids, o anime fez um enorme sucesso na TV paga, onde era exibido junto a Digimon no bloco Invasão Anime. Logo as revistas especializadas em conteúdos anime, que na época era mania entre os fãs de Dragon Ball Z, Pokémon e Digimon (como Ultra Jovem, Anime Do, etc.), começaram a fazer matérias sobre os robôs que batalhavam entre si. Conheci Medabots na Fox Kids, na época era exibido por volta das 19:00, logo amigos na escola também começaram a comentar sobre a série e rapidamente me tornei fã de Ikki e Metabee.

Nos primeiros anos do programa Bambuluá da rede Globo, houve uma verdadeira invasão de animes na TV aberta pela mesma. Tudo começou com a estreia de Digimon, logo depois vieram Monster Rancher e Sakura Card Captors... E em 2002 a emissora levou ao ar os primeiros episódios de Medabots. O anime que já era muito querido na TV paga, estreou com êxito na TV aberta. O sucesso se comparado ao de Dragon Ball Z (que estava no auge na época) ou de Digimon ou Pokémon, não foi lá essas coisas... Porém a série com certeza garantiu seu espaço entre os demais animes exibidos.

Após o sucesso da série na TV, a editora Panini resolveu levar às bancas o mangá da série. Infelizmente, assim como outros lançamentos da época, foi cancelado rapidamente. Cheguei a ver o mangá e não me chamou muita atenção, até porque, se comparado ao anime, a história no papel é bem inferior (em minha opinião). E Medabots em si, não é uma série tão "atrativa", podemos destacar sim várias coisas legais dela, porém os episódios em si são meio fracos.

A Rede Globo exibiu apenas 2 temporadas da franquia Medabots, portanto um total de 52 episódios. A primeira temporada é o início dos acontecimentos, como Ikki e Metabee se conheceram, e por aí vai. Na segunda temporada ocorre o Torneio Mundial de Cyberlutas. Teve algumas exibições no programa de segunda a sexta, porém ficou mais tempo no ar aos sábados, sendo um dos raros desenhos em que a rede Globo manteve no ar por mais de um ano em exibições semanais. A terceira temporada foi exibida somente pela Fox Kids (posteriormente Jetix), muita coisa muda nesta temporada, onde Metabee ganha novas formas e vários personagens saem e outros entram.

CRÍTICA

Não podemos negar que a série se assemelha muito a outras do gênero colecionáveis, porém toda esta idéia de robôs feitos para lutar, mas com sentimentos e o amor pelos humanos, nos faz refletir sobre um futuro não tão distante assim. Talvez a primeira crítica que o anime faça, seja a respeito do consumismo desenfreado que pode ser observado em pessoas de todas as idades (e mais crescente em crianças). A obsessão por tecnologia e por novidades que envolvam o mesmo quesito é de certa forma repudiada pelo fato de Ikki comprar um Medabot ultrapassado. Outro fator importante é, que apesar do corpo de um Medabot possuir tantos avanços e tecnologias diferenciadas, os Medabots mais fortes são aqueles que possuem Medalhas Raras (que são a Alma do Medabot).
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