(Pequeno artigo que escrevi para a disciplina "Fundamentos Psicológicos da Educação" finalizado no dia 16/04/2013, Rodrigo Peres)
Alguns
temas são considerados “tabus” para as crianças. Tais temas, como a
homossexualidade, deveriam continuar escondidos para um “ser humano em formação”
ou deveriam ser tratados como normais e estarem presentes no seu dia a dia?
Entre
2008 e 2009 foi produzida numa associação entre a Mercury Filmworks e
a National Geographic Kids Entertainment uma série animada baseada no
livro infantil Toot and Puddle, obra da escritora norte americana Holly
Hobbie, a série animada dos “porquinhos viajantes” causa certa polêmica entre
pessoas mais conservadoras.
Toot
and Puddle, apesar da semelhança física e morarem na mesma casa, não são irmãos. Toot
adora viajar e conhecer lugares novos e exóticos, já Puddle é mais
caseiro, prefere ficar em casa cuidando dos afazeres domésticos. Porém, algumas
vezes os dois viajam juntos. Quando Toot está fora, Puddle fica ansioso por
receber algum cartão postal com notícias de seu amigo. Quando estão juntos em
casa, eles dividem o mesmo quarto, porém em camas separadas. Quando viajam
juntos, eles também dividem o mesmo quarto de hotel, e também em camas
separadas.
Esse
desenho animado voltado a crianças em fase pré-escolar nos faz pensar sobre o
papel da TV no processo de socialização infantil. Quais temas devem ser
levados, mesmo que de forma subliminar, as crianças?
Um
dos maiores sucessos da escritora Holly Hobbie, a série de livros
de Toot and Puddle conta com mais de 10 livros. Nos EUA, os livros são
considerados como uma boa forma de familiarizar as crianças com um novo
conceito de família, ou seja, tentar explicar para elas de uma forma suave o
porquê de seu tio dividir uma casa com outro homem, por exemplo. Apesar do
livro não ser uma cartilha que explica as crianças sobre o que é um
relacionamento homossexual, alguns especialistas os indicam aos pais que querem
explicar esse tema aos filhos.
Na
história eles são tidos como “melhores amigos”. Porém, é fácil notar que a relação
deles é muito próxima, eles se empenham muito um com o outro. Quando Toot vai
viajar, por exemplo, Puddle fica em casa, fiel, esperando
ansiosamente pela volta de seu amigo. Até porque o foco do desenho não é
discutir isso, mas sim mostrar as crianças o grande laço de amor e amizade que
existe entre os porquinhos que dividem a mesma casa.
Mas
se você tiver a mente um pouco “poluída”, poderá notar algumas mensagens
subliminares, como acontece em um dos diálogos entre os porquinhos, enquanto
Puddle está cozinhando e Toot lendo um mapa para sua próxima viagem, ele
pergunta: “Eu pareço muito cor de rosa?”, então Puddle responde: “Você
não pode ser muito cor rosa”.
No
fórum da Discorvery Kids brasileira, perguntado aos pais quais atrações
deveriam ser tiradas do ar, alguns defenderam a saída de Toot and
Puddle por conter conteúdo que insinua homossexualidade. Apesar de algumas
criticas negativa, a maioria dos pais defendeu a permanência do desenho,
dizendo que ele não falava sobre a homossexualidade, e sim sobre a amizade.
Inclusive um dos pais, disse que seus filhos achavam a relação de amizade entre
os porquinhos muito bonita. Então poderíamos dizer que nesse caso “a maldade”
está nos olhos de quem vê?
Desde
que os desenhos animados foram criados essa pergunta não para de ser levada a
tona: Quais assuntos devem ser discutidos em uma série para crianças? Hoje em
dia existe uma pressão muito grande sobre quais temas devem fazer parte de uma
animação para crianças, exclua dessa lista violência, palavrões, piadas ou
imagens com insinuações sexuais, e uma lista incontável de temas.
Mas
também devemos observar a importância de alguns temas mais complexos serem
abordados de uma forma natural às crianças dessa nova geração. Como no caso
de Toot and Puddle, vejo que é extremamente importante, tendo em vista um
atual crescimento no número de casais homossexuais, mostrar as crianças que existem
outras formas de família diferente da sua (com um pai e uma mãe). Segundo os
dados do Censo 2010 o Brasil já contabiliza mais de 60 mil pessoas vivendo com
parceiros do mesmo sexo, e a tendência é que o número aumente nas próximas
contagens, segundo o presidente do IBGE
Eduardo Pereira Nunes. Portanto, a criança tendo uma base, em sua
primeira socialização, de que esse tipo de relacionamento é normal, poderá no
futuro assimilar melhor as diferenças familiares e, consequentemente, diminuir
o preconceito.
Porém,
ainda existe uma grande pressão da sociedade conservadora em fingir, para as
crianças, que esse tipo de relacionamento não existe. Mas para o bem geral,
sempre surgirão “Toots and Puddles”que irão trabalhar de forma subliminar para
que tenhamos um mundo com menos estranhamento as diferenças.















